segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vídeo sobre outiva de crianças e adolescentes

Olá!

A postagem de hoje é para compartilhar um vídeo produzido para um curso sobre violência sexual contra crianças e adolescentes para o judiciário. O vídeo aborda, de forma muito clara e fidedigna, o percurso de uma vítima de violência sexual na rede de proteção e de atendimento. Percebam que há meninas e meninos no vídeo, bem como a citação de que mulheres podem ser perpetradoras da violência sexual. Isto, na minha opinião, demonstra que estamos evoluindo em relação ao debate da violência sexual contra meninos. 
Sugiro a utilização do vídeo em palestras, cursos e capacitações para sensibilizar os participantes. Façam bom uso!


Um abraço!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Indicações de Livros

Olá, pessoal!

A postagem de hoje visa atender o pedido de alguns colegas por indicação de livros sobre violência sexual contra crianças e adolescentes, mais especificamente sobre violência sexual contra meninos. Desde que comecei estudar este tema, frequentemente descubro novos materiais. Hoje vou compartilhar livros publicados no Brasil e, também, traduzidos. 
Há dois livros escritos e publicados no Brasil especificamente sobre violência sexual contra meninos que eu conheça (se alguém souber de mais algum, favor avisar!). Os dois são frutos de pesquisas de pós-graduação (stricto sensu). 

O primeiro deles, publicado em 2005, é de autoria de Antonio Augusto Pinto Junior e tem como título "Violência sexual doméstica contra meninos: Um estudo fenomenológico". Neste livro o autor aborda estudos de caso de três meninos vítimas de violência sexual. 



O segundo livro, publicado em 2009, é intitulado "Abuso sexual em meninos: A violência intrafamiliar através do olhar de psicólogo que atende em instituições", de autoria de Moacyr Ferreira Pires Filho. Neste livro é apresentada uma pesquisa com sete psicólogas na qual se objetivou investigar a percepção destas profissionais acerca da violência sexual contra meninos.



Para o trabalho com as vítimas, sugiro o livro "Antônio", de autoria de Hugo Monteiro Ferreira e ilustrações de Camila Carrossine. O livro aborda a história de um menino que foi vítima de violência sexual e pode auxiliar vítimas a falarem sobre o assunto.



Por fim, embora eu não seja muito adepto de autobiografias de vítimas de violência sexual, sugiro o livro Tigre, tigre, de autoria de Margaux Fragoso e tradução de Ryta Vinagre, principalmente para profissionais interessados em conhecer melhor a dinâmica da violência sexual. Embora seja o relato de uma situação de violência sexual contra uma menina, o relato de Margaux exemplifica muito bem o que vários estudiosos já falaram sobre a dinâmica da violência sexual contra crianças e adolescentes. O livro foi publicado em 2011. Aliás, a dinâmica da violência sexual contra crianças e adolescentes será tema de uma postagem futura. Aguardem!



Um abraço!



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Violência sexual contra meninos: dados epidemiológicos, características e consequências

Olá, colegas!

A postagem de hoje é dedicada ao compartilhamento de um artigo sobre violência sexual contra meninos que minhas orientadoras e eu publicamos durante meu mestrado. Trata-se de um ensaio teórico que aborda dados epidemiológicos, características e consequências desta violência. Tentamos produzir um artigo com validade ecológica, ou seja, com resultados de pesquisas brasileiras. No entanto, dada a carência de estudos sobre violência sexual contra meninos em nosso país, acabamos recorrendo a muitos estudos internacionais. De qualquer forma, para quem tem interesse pela temática, recomendo a leitura, pois oferece uma visão geral da violência sexual contra meninos. Espero que gostem do artigo e que ele seja útil! 



Link para o artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-65642012000200008&script=sci_arttext




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As mensagens da violência sexual contra meninos e homens

A postagem de hoje consiste em uma iniciativa do projeto Unbreakable (http://projectunbreakable.tumblr.com/) - um projeto que objetiva dar visibilidade social à violência sexual e encorajar que vítimas a revelarem. Na publicação há 26 fotos de homens vítimas com verbalizações que eles ouviram de seus agressores ou de outras pessoas a respeito da violência sexual que sofreram. 
http://www.buzzfeed.com/spenceralthouse/male-survivors-of-sexual-assault-quoting-the-people-who-a

Como estamos no Brasil e aqui se fala português, busquei traduzir o conteúdo de algumas imagens. 


"Não se importe... Ninguém precisa saber..."
- às cinco da manhã, em um banheiro de um quarto, na minha sexta noite na universidade.
Bem, adivinhem? Agora toda universidade sabe também.


"Silêncio... eu só estou conferindo se está tudo certo com você"


"Eu quero lhe mostrar o quanto eu me preocupo"


"Homens não podem ser violentados sexualmente" - Quando eu contei para alguém


Está tudo bem... Todos os irmãos fazem isto... Isto se chama PRATICAR"


"Você é meu menino especial"
"Prometa não contar para ninguém"
"Se se sente bem, porque isto é tão ruim"


"Seja homem e simplesmente faça isto"


"Você é um menino, você não pode dizer não para uma menina como eu"
Fevereiro de 2013


"Se você contar para alguém você será expulso da escola"
Assistente do professor de taekwondo quando eu tinha 11 anos
Eu não contei para ninguém até os meus 31 - vergonha e auto-culpa


"Não se preocupe, meninos deveriam gostar disto"


"Se você contar para alguém... Eu vou matar você"

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Violência Sexual: O que é?

Sempre inicio os cursos, palestras e aulas sobre o tema da violência sexual (VS) recapitulando seu conceito. Afinal de contas, o que é VS? Não raro, me deparo com estudantes ou profissionais que não sabem ao certo o que é VS. Isto ocorre devido a vários fatores - existência de vários conceitos, desconhecimento, formação, etc. Gosto muito do que Mic Hunter, autor do livro "Abused Boys: The Neglect Victims of Sexual Abuse", menciona a respeito da importância de sabermos o conceito de VS - o modo como conceituamos algo direciona nossa atuação em relação ao fenômeno conceituado. Sendo assim, se partirmos de uma definição inadequada, as chances de nossa atuação ser igualmente inadequada aumenta consideravelmente. 
Embora existam vários conceitos de VS, a mais difundida mundialmente, e a que utilizamos no CEP-Rua, é a da World Health Organization (WHO) e International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect (ISPCAN; 2006 ). Esta indica que a VS consiste no envolvimento de uma criança ou adolescente em atividade sexual não compreendida totalmente, sendo estes incapazes de dar consentimento, ou para a qual não estão preparados devido ao seu estágio desenvolvimental. Acrescenta-se o fato de que a VS viola leis ou tabus da sociedade.
No Brasil, Ministério da Saúde (2002) conceitua a VS de forma semelhante à WHO e ISPCAN, detalhando as práticas consideradas VS. É definida, então, como todo e qualquer ato ou jogo sexual, seja ele em uma relação heterossexual ou homossexual, no qual os perpetradores estão em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou o adolescente, sendo estes indivíduos abaixo de 18 anos. Tal prática tem por finalidade estimular sexualmente as vítimas ou utilizá-las para obtenção de satisfação sexual dos perpetradores. Evidencia-se por meio de práticas eróticas e sexuais impostas às crianças ou aos adolescentes pela violência física, ameaças ou indução de sua vontade. A VS pode variar desde atos nos quais não há o contato sexual (voyerismo, exibicionismo, produção de fotos), até diferentes tipos de ações que incluem contato sexual com ou sem penetração. Inclui, ainda, situações de exploração sexual visando a lucros, tais como, a exploração sexual e a exposição à pornografia. A exploração sexual (veja bem, não é correto chamar de prostituição infantil, pois não se trata de uma opção da criança ou adolescente) é um tipo de VS no qual há um aspecto mercadológico envolvido. Embora não seja adequado adequado dizer que crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual recebam pagamento, sempre há uma "moeda de troca" envolvida, geralmente, bens primários para a sobrevivência desta criança ou adolescente ou de sua família. Dada a complexidade da exploração sexual, este tema será abordado, futuramente, em um tópico somente para o assunto. 
A figura abaixo ilustra o conceito de VS e detalha suas principais formas:
Em relação à VS contra meninos, um estudo no qual 166 publicações sobre VS contra meninos norte-americanos, menores de 19 anos, foram analisadas, os critérios mais utilizados para definir VS foram: diferença de idade entre agressores e vítimas, presença de coerção, reação da vítima, envolvimento de uma figura de autoridade, forma de contato físico e ocorrência de penetração (Holmes & Slap, 1998). A variabilidade de definições pode ser compreendida pelas diversas formas que a VS pode apresentar. Interações com penetração, manipulação de genitais, sexo oral (Holmes & Slap, 1998; Hunter, 1990; Kristensen, 1996), exibicionismo (Holmes & Slap, 1998; Hunter, 1990), assédio verbal (Hunter, 1990) e exibição de revistas pornográficas (Hunter, 1990; Kristensen, 1996) são descritas pela literatura como formas comuns de VS contra meninos.

Referências
Holmes, W. C. & Slap G. B. (1998). Sexual abuse of boys: Definition, prevalence, correlates, sequelae and management. Journal of American Medical Association, 280, 1855-1862. doi: 10.1001/jama.280.21.1855
Hunter, M. (1990). Abused boys: The neglected victims of sexual abuse. EUA: Fawcett Books.
Kristensen, C. H. (1996). Abuso sexual em meninos (Dissertação de mestrado). Recuperado de http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/1432/000177073.pdf?sequence=1.
Ministério da Saúde (2002). Notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais de saúde: Um passo a mais na cidadania em saúde. Brasília: Secretaria de Assistência à Saúde. Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/notificacao_maustratos_criancas_adolescentes.pdf
World Health Organization & International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect (2006). Preventing child maltreatment: A guide to taking action and generating evidence. Suíça: World Health Organization. Recuperado de http://whqlibdoc.who.int/publications/2006/9241594365_eng.pdf

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Por que este blog?

Me chamo Jean Von Hohendorff. Sou psicólogo, mestre e doutorando em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPG em Psicologia), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pertenço ao grupo de pesquisa Centro de Estudos Psicológicos CEP-Rua (www.ceprua.org.br) e sou orientado pelas Dras. Silvia Helena Koller e Luísa Fernanda Habigzang. Nosso grupo de pesquisa (CEP-Rua) trabalha com temas relacionados à vulnerabilidade em geral e eu, especificamente, com violência sexual (VS) contra meninos. O interesse por este tema surgiu quando eu estava na graduação e fazia um estágio junto ao CEP-Rua de Novo Hamburgo - um projeto de extensão do nosso grupo de pesquisa que prestava atendimento psicoterápico para crianças e adolescentes vítimas de VS. No mestrado adaptei uma intervenção cognitivo-comportamental para meninos vítimas de VS a partir de um modelo desenvolvido e avaliado pelas minhas orientadoras com meninas vítimas de VS (acesse a tese sobre o modelo com meninas em http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/21429 e o meu estudo de mestrado em http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/55080). Durante meu mestrado, percebemos a escassez de meninos vítimas de VS que revelam a VS e de estudos sobre a VS contra meninos. Devido a isto, agora no doutorado, pretendo realizar uma pesquisa nacional por meio de entrevistas com meninos vítimas de VS para que possamos entender melhor esta realidade pouco discutida. É exatamente aí que "entra" este blog - discutir sobre a VS contra meninos, pois se trata de um tema pouco explorado. Porém, nos últimos dias, me deparei com algumas reportagens interessantes sobre o tema e que me motivaram a criar este blog para compartilhar estas reportagens, bem como demais materiais sobre VS contra meninos. A partir de hoje pretendo compartilhar materiais frequentemente. Fiquem atentos e sejam muito bem-vindos! Para iniciarmos nossas discussões, compartilho um vídeo sobre VS contra meninos que fizemos (CEP-Rua e NEPTV/FABICO) durante o meu mestrado.